sexta-feira, 24 de abril de 2009

Santa Comba, Cidade Nova!

Na sequência do artigo publicado ontem, no coração de Portugal, entranhada nas terras de xisto e na densidade do granito cinzento da cova beiraltina, por excelência, Santa Comba Dão tem uma história que se perde no tempo. Outrora local de confrontos quando os romanos dominavam na península ibérica contra as tribos indígenas. Factos, que traçam o carácter do santacombadense e, que transporta consigo o código genético de uma herança antiga e a vontade indomável resultante do espírito dos lusitanos, estirpe de um nome que se cruza na história: Viriato, primeiro herói da nossa história.

As escarpas acidentadas desenhadas pelos rios Dão, Mondego e Criz, que fazem deste concelho uma península, obrigam o Homem a uma constante luta com a Natureza, estabelecendo entre si uma dialéctica sustentável. Mas, é a água que molda o espírito e a montanha que transforma o corpo, mas permanece a sua essência! Santa Comba Dão é a imagem das suas gentes: rebelde, activa, leal, determinada mas também sensível e de grande coração! O seu espírito revela a pureza, tal como na paisagem.

A orografia marca bem a paisagem entre os seus vales e a sua vegetação, no encanto do verde e escuro da rocha. Os rios e as inúmeras ribeiras ligam-nos à água fonte da vida e cura de todos os males. Santa Comba Dão possui características únicas para o turismo de qualidade. Aqueles que apreciam o bem-estar, a segurança e o descanso, encontram neste concelho todas as condições para usufruir de uma qualidade de vida inigualável. Abraçada numa região integrada numa zona vinícola bastante conhecida e acompanhada, também, pela sua tradição de fumeiro beirão.

É pena, que o nome desta recente cidade, só apareça nos jornais para falar de polémicas em volta de um nome, que é apenas um facto na história recente e, não se revele o que verdadeiramente interessa. Santa Comba Dão tem feito esforços para desenvolver-se, sendo um modelo de cidade que consegue conciliar a modernidade dos tempos e a sustentabildade e preservação do ambiente, característico da sua região. Os mesmos que reclamam por tudo e por nada, não são capazes de mostrar o que de bom está ser feito. As imagens revelam-se só por si!

Oxalá, que seja seguido este exemplo, de sustentabilade e desenvolvimento aqui na nossa Autarquia de Azambuja!

Em Crescendo!...

Venho deste modo, felicitar todos os leitores deste espaço de opinião e agradecer o interesse demonstrado, ao longo, deste breve espaço de tempo desde a sua criação. Como poderão verificar, a abrangência tem sido enorme, tanto pelo número alcançado no total, como pelo o número de vistas registado ontem, conforme demonstra as estatísticas no registo do gráfico publicado. Há que considerar, também, o salto internacional de visitas, como poderá ser verificado no mapa.

Este Blog tem revelado neste início de vida, uma enorme vitalidade e actividade na publicação de artigos semanalmente. É essencial, que se faça todos os esforços para que haja sempre matéria para discussão e, seja bastante produtivo na abordagem dos assuntos relacionados com a nossa realidade quotidiana, seja local, seja nacional e internacional. Agradeço todos aqueles que queiram deixar o seu comentário, opiniões e sugestões para enriquecimento do debate.

Num momento, que se irá celebrar a liberdade amanhã no 25 de Abril e, sendo ele o dia do meu aniversário, faz todo o sentido dizer a todos, que o maior significado desse dia, concretiza-se numa participação activa, com um contributo construtivo de opiniões, procura da resolução dos problemas sociais que nos afectam quotidianamente e, procurar sugerir soluções para os mesmos. É este objectivo deste blog, faça-o que ele seja cumprido. Eu cumprirei com a minha parte. Obrigado a todos!...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ao Largo...

Lembro-me quando era mais garoto quando ia visitar nas férias do verão, os meus avós, primos e irmãos do meu pai, à terra natal dele, juntamente com o meu irmão e, que inclusivamente, por coincidência era, também, berço de um ilustre conterrâneo da terra já falecido, que outrora tivera a responsabilidade de conduzir os destinos do País durante muito tempo.

Ainda trago na memória, as vezes que ia com a minha avó à então vila, hoje cidade, levar o almoço ao meu avô no seu local de trabalho, que era uma antiga carpintaria onde o meu avô executava as suas "obras primas", às quais, teve a honra de receber uma lembrança, do então, Presidente da República, na altura, o General Ramalho Eanes, num certame de exposição de Artes e Ofícios, que se não me engano, realizou-se em Vila Real, ou então, numa bem distinguida cidade a norte do Douro.

Já lá vai o tempo em que íamos à vila, aproximadamente, semana a semana com uma carrinha de caixa aberta e bidons vazios, juntamente, com os meus primos e a minha tia Olinda, buscar água ao chafariz cá em baixo, ao pé da mercearia de um primo da minha Avó, junto ao ribeiro que ali passa. Para lá chegar-mos, ia-mos desde as Pedras Negras, onde estes meus parentes viviam, num bairro social, construído com o intuito de albergar os retornados vindos das ex-colónias, após, a independência de 1975. Hoje já não existe, actualmente, mas na altura, ainda a água canalizada não chegava lá ao alto das Pedras Negras, ficando-se mais abaixo, nas Fontainhas. Ainda, assim, divertíamos-nos muito a nadar na lagoa, lá nas Pedras Negras, onde existia um pequeno salgueiro no meio. Infelizmente, penso que já foi subterrada.

Mas, continuando, descia-mos lá do alto, a bordo na carrinha, uns na cabine, outros na caixa cá atrás a segurar os bidons e jerricans para transportar a água do chafariz da vila. Chegando ao centro, diante do antigo quartel dos bombeiros, onde existia um polícia sinaleiro ao centro a comandar o trânsito. Virávamos à esquerda, passávamos o largo Dr. Salazar, que na altura ainda tinha o que restava do antigo posto da guarda e do seu presídio. Era aí que se fazia o mercado semanal. Ainda oiço e sinto a azáfama dos vendedores na rua, o apregoar a seu soldo, os preços de hortaliças frescas de um lado, criação e peixe do outro, aos clientes transeuntes na rua.

Passávamos a carpintaria do meu avô e mais cinquenta metros, chegávamos a um grande largo, onde existia um grande Chorão, que servia na sua sombra uma explanada a um café com o mesmo nome da árvore ali plantada. Para lá, há uma pequena ponte que atravessa o ribeiro que vai desaguar ao rio Dão, e chega-se aos passos do Concelho, instalado numa antiga casa solarenga, hoje toda recuperada e vibrante.

Toda esta história, vem em sequência, da notícia publicada na imprensa acerca de Santa Comba Dão, acerca, daquele pequeno largo, que nunca fora um estorvo para ninguém. Onde se fazia, ali o comercio ambulante e que hoje, após muitos anos está recuperado. Não percebo, porquê? Eu nasci no dia 25 de Abril e, não me ofendo com tal situação! Não sei qual é polémica? Aquele largo sempre foi o Largo Dr. Salazar, antes dessa data e continuará a sê-lo, por muitos anos! A Democracia tem que aprender a viver com o seu passado e, não querer impor que se coloque a borracha e que se apague alguns momentos da nossa história. Então, teríamos que fazer uma revisão completa dos factos. Esses fantasmas já não fazem sentido e, o estigma muitas vezes ligados à esquerda mais impaciente, consegue provocar muito alarido.

Nota de Imprensa

Abaixo transcrevo a seguite excerto da Nota de Imprensa, apresentada pela Direcção de Campanha da Coligação "Pelo Futuro da Nossa Terra":

"(...) vem por este meio informar que no próximo dia 29 de Abril (4.ª feira), pelas 10.00 horas, os nossos candidatos à presidência da Câmara e da Assembleia Municipal de Azambuja, respectivamente, Dr. António Jorge Lopes e Dr. António Godinho, vão realizar uma Visita de Trabalho ao Centro de Dia da Casa do Povo de Manique do Intendente".

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A Tragédia de Sócrates

Na linha filosófica descrita do artigo anterior, lembrei-me de Nietzsche, filósofo alemão, que foi ferozmente contra o pensamento socrático (Sócrates, Filósofo), denunciando na sua primeira obra publicada, "A Origem da Tragédia" onde, através, de algumas questões fundamentais às quais vai procurar responder:

- Qual a razão porque, um povo que valoriza tanto a razão, a ordem e o controlo das paixões, teve necessidade de criar uma arte, como a tragédia, onde se expressa o irracional, o misterioso?

- Como deve o homem encarar o sofrimento, a crueldade, a dor e o horror que caracteriza a história da humanidade... é possível dar algum sentido a esta história? O sofrimento e o horror são inerentes à própria condição humana?

Para responder a estas questões, Nietzsche estuda a origem da tragédia, pondo em evidência a sua origem ligada ao culto do Deus Dionísio. Recorde-se, que Dionísio ou Baco foi o último deus a entrar no Olimpo. Homero não o considerava ainda imortal. É popularmente conhecido como o Deus do Vinho. Contava-se que era originário de Tebas, filho de Zeus e da princesa Sémele. Tal como o Deus Osíris do Egipto, foi morto e ressuscitado. Aparece ligado aos cultos primaverís. Os seus rituais ocorriam na montanhas e florestas, praticando-se a embriaguez, comendo-se o corpo e bebia o sangue de seres humanos, os quais foram substituídos por animais, como bodes. A palavra tragédia, significa "canto do bode". Dionísio simboliza a natureza, o excesso e o irracional. O culto a Dionísio, na antiga Grécia, aparece ligado a orgias e festividades onde eram cometidos todo o tipo de excessos. As festas em honra de Dionísio são inseparáveis, também, da música e da dança onde os participantes de fundem com o todo envolvente ( o Uno Primordial, a energia vital ). A este deus, contrapôs Nietzsche, um outro chamado Apolo, dos quais estabelece, assim, uma dualidade na cultura grega. Dionísio e Apolo foram erigidos em princípios de toda a criação artística. Apolo é o contraponto de Dionísio. É o símbolo da ordem, medida, proporção e forma. Identifica-se com o sonho, as imagens e as formas individualizadas. As suas artes são a epopeia (Homero) e a escultura.

Podemos dizer, que o primeiro exprime as forças misteriosas e irracionais que emergem da natureza, o segundo a ordem e modelação que lhes é dada. A arte resultada desta tensão e desequilíbrio entre dois espíritos, o de Dionísio e o de Apolo é a Tragédia. Nietzsche refere que artes prepondera mais um espírito que outro, o que terá levado a certas classificação das artes em função deste critério. A finalidade da arte é proporcionar um espécie de consolo metafísico. Ela é a afirmação da vida perante a crueldade e o horror e, através, disso consiste a sua grandeza, colocando-se desta forma para além do bem e do mal. A história do teatro grego foi re-interpretada por Nietzsche à luz desta dualidade (Dionísio e Apolo), procurando através da mesma, responder às duas grandes questões que no inicio foram colocadas.

O apogeu da tragédia, corresponde à sua primeira fase, onde manifestou-se um perfeito equilíbrio entre o espírito de dionisíaco e o apolíneo. O coro dos sátiros e a música exprimiam então a violência do real, o caos original. As tragédias de Esquilo e Sófocles manifestam-se conformes a este mundo, onde Dionísio era o verdadeiro herói da cena, cujo sofrimento era cantado por o coro. Enquanto durou esta fase, da tragédia grega, a questão de um sentido da existência humana não se colocava para os gregos. Estes pareciam aceitar a falta de sentido do mundo e da sua existência, fazendo a força para enfrentar esta realidade a principal virtude.

Os gregos sentiam que o mundo não tinha qualquer finalidade. A sua criação não era atribuída a qualquer deus. A matéria de que era feito, sempre existira e obedecia às leis que lhe eram próprias. Os deuses pouco ou nada podiam fazer para contrariar esta realidade. Como os homens também eles estavam submetidos aos mesmos ciclos da natureza: nasciam, sofriam e desapareciam quando terminava o ciclo do eterno retorno. Afastados no mundo humano, pouco mais eram do que objectos estéticos. Nenhum deus está em condições de assegurar aos homens a paz ou a felicidade. Estes estão entregues a si próprios, restando-lhes apenas viverem com sabedoria a vida, gozando o presente. Depois espera-os o horror do Hades, lugar de trevas e de silêncio, donde voltarão para reencarnarem um novo corpo, sofrerem e voltarem a morrer.

"Entre todos os seres que sobre a terra respiram e se movimentam, nenhum é mais infeliz do que o homem". Homero, Odisseia.

A decadência da tragédia, começa no tempo de Eurípides, contemporâneo de Sócrates. Nietzsche assinala toda uma série de modificações que são então introduzidas nas suas representações:

- As cenas de Dionísio e da sua paixão heróica são retiradas
- O coro trágico é transformado em poema ou coro histórico
- As cenas narradas aproximam-se das vivenciadas pela própria assistência, retirando-lhe assim toda a sua carga mítica.
- Multiplicam-se os actores e os efeitos cénicos, aumentando o efeito de diversão.

Correspondendo a esta decadência da tragédia, surge a comédia. Aristófanes, o seu principal autor, nelas coloca tudo a ridículo para gáudio da assistência. A questão do sentido da existência humana sofre, então, segundo Nietzsche, uma mudança profunda. Antes todavia de respondermos a este ponto vejamos primeiro as causas da decadência da própria tragédia.

A principal causa da decadência da tragédia tem um nome: Sócrates. Ele encarnou o espírito de Apolo, e levou a sua preponderância na cultura grega, contribuindo assim para a negação do espírito dionisíaco. Sócrates é assumido como o modelo do homem contemplativo ( teórico), avesso às paixões e a tudo aquilo que tenha a ver com o corpo. Foi ele que descobriu e apontou um sentido para vida humana: a salvação da alma, o que implicava a renuncia dos prazeres corporais, os instintos. Com Sócrates, a vida terrena começa a ser preterida em favor de uma outra vida, no além. Todos aqueles que desistiram de lutar (viver), os fracos, refugiam-se nesta ilusão, encontrando nela um consolo. Perante esta transmutação de valores, operada por Sócrates, a reacção dos atenienses foi violenta.

Contudo, a sua morte acabou por lhe aumentar a fama e influência ao torná-lo num mito central da cultura ocidental. O modelo de homem que Sócrates irá legar às gerações futuras está assim mutilado. Trata-se de um Homem que privilegia o razão desprezando a vida, que contrapõe o saber ao mistério. Este homem, imagina um mundo ordenado mas, onde reina o caos, só encontra uma única escapatória para o seu sofrimento: a ilusão de um outro mundo. O cristianismo irá prosseguir o caminho aberto por Sócrates, segundo Nietzsche.

Após a leitura deste texto, qual as semelhanças, entre os factos com a realidade vivida pelos portugueses, ao ler as previsões do FMI, no seguimento das outras projecções anunciadas, por outras instuições, anunciadas há dias?!...

Pensamentos Socráticos...


"Só sei... que a culpa é da "Crise"... e nada sei como resolve-la! Não importa saber,... o que realmente interessa, é termos todos um pensamento positivo! Mesmo que não saibamos de nada. A ignorância faz-nos livres... liberta-te da TVI, ou então, terás que carregar esta cruz comigo!"

Para mal de todos nós, o 1º Ministro vitimiza-se!... Aonde é que isto chegou?! Vítimas somos todos nós , os portugueses...

Agora, pode ver no Flickr, a presença da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra, para poder acompanhar os trabalhos e rostos que a compõem.